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30 de setembro de 2022

O que você precisa saber para não votar em quem destrói a Amazônia

Se você é leitor da Repórter Brasil, chegará à urna no próximo domingo (2) sabendo os nomes dos políticos que não se preocupam em preservar o meio ambiente e as comunidades tradicionais.

Em setembro, publicamos reportagens que investigam políticos, revelam financiamentos eleitorais e expõem os danos provocados à Amazônia nos últimos quatro anos. 

Isso tudo pode ser conferido no Ruralômetro, uma ferramenta que avalia o desempenho dos deputados federais em questões socioambientais. A partir de cruzamentos de dados, mostramos as estreitas ligações entre o agronegócio e a bancada da bala, entre várias outras histórias. Dos 25 deputados mais mal pontuados no Ruralômetro, 23 são membros da bancada da bala. Entre eles está o candidato a deputado federal Éder Mauro (PL-PA).

Fomos até Belém para ver como o ex-delegado -- alvo de 101 denúncias em ouvidoria por sua atuação como policial e que assume ter executado várias pessoas -- exibe um verniz de justiceiro e moralista, mas camufla a faceta de ruralista que atua sistematicamente contra o meio ambiente e os povos do campo. 

Em outra reportagem, contamos sobre o legado negativo que o partido Novo deixa para o meio ambiente. Estreante no Congresso com oito deputados federais eleitos em 2018, a legenda se aproxima do fim da legislatura com o título de pior partido para a causa socioambiental na Câmara, segundo o Ruralômetro. 

Ser antiambiental, contudo, pode ser um "bom negócio", já que os  deputados ruralistas enriquecem 7 vezes mais que os ambientalistas em quatro anos

Os parlamentares com atuação considerada negativa para causas ambientais e de povos tradicionais tiveram crescimento patrimonial médio de R$ 532 mil entre 2018 e 2022, enquanto os políticos ambientalistas enriqueceram R$ 74 mil no mesmo período. 

Não é apenas a destruição que rende dinheiro. Revelamos que o senador Fernando Bezerra (MDB-PE), ex-líder do governo Jair Bolsonaro (PL), solicitou ao ministro do Trabalho, José Carlos Oliveira, “a possibilidade de análise e retirada” de uma fazenda pertencente a Emival Caiado da “lista suja”. O cadastro reúne empregadores responsabilizados por condições análogas às de escravo.

Um mês depois, Emival doou R$ 600 mil às campanhas eleitorais de três filhos do senador: R$ 250 mil para Miguel Coelho, candidato a governador, R$ 200 mil a Fernando Filho, candidato a deputado federal, e R$ 150 mil a Antônio Coelho, candidato a deputado estadual. Todos os três são filiados ao União Brasil.

Em outra reportagem, dessa vez em vídeo (abaixo), partimos de Rondônia, cruzamos o Amazonas e o Pará e avançamos até o Mato Grosso para ver as regiões mais queimadas e devastadas durante o governo Bolsonaro, onde o agronegócio impulsiona três grandes obras de infraestrutura.

Passamos por 7 das 10 cidades mais queimadas e desmatadas da Amazônia Legal nos últimos cinco anos. Conversamos com indígenas de diferentes povos e ouvimos relatos de ameaças e ataques. Esse tipo de pressão se tornou recorrente no governo Bolsonaro, como mostramos em outras reportagens publicadas em setembro. 

Com apoio do governo de Mato Grosso e da Funai, a prefeitura de Campinápolis (MT) desmatou ilegalmente área indígena para plantio de grãos. Sem aval do Ibama, o munícipio retirou área equivalente a 420 campos de futebol na TI Parabubure. Máquinas e combustível foram fornecidos pela gestão Mauro Mendes (União Brasil), governador favorito à reeleição. 

O discurso pró-garimpo do presidente Jair Bolsonaro e os cortes orçamentários impostos à fiscalização ambiental geraram não apenas um aumento desta atividade ilegal no país, mas também um novo fenômeno nas eleições deste ano. É a presença de candidatos ligados ao garimpo e que, em alguns casos, carregam a legalização da atividade como bandeira eleitoral.  

Repórter Brasil levantou os sete principais candidatos a diferentes cargos ligados à atividade. Cinco são milionários. E todos são muito próximos, de alguma maneira, ao garimpo – seja defendendo a categoria, seja fazendo parte dela.

Em oposição a quem destrói a Amazônia, os indígenas se articularam para criar a "bancada do cocar". São 30 candidaturas em todo o Brasil apoiadas pela principal associação indígena, a Apib. Dessas, 16 disputam um cargo na Amazônia. 

Durante a campanha, os candidatos indígenas enfrentam a falta de dinheiro, as viagens caras e a onipresença das igrejas evangélicas nas aldeias, como mostra a reportagem.  

‘Vai ter guerra’: após morte suspeita de liderança, guardiões Ka’apor se unem contra garimpo ilegal

Ainda sobre garimpo ilegal, fomos até o Pará para contar a história sobre a morte misteriosa de liderança indígena Ka'apor, que completa quatro meses sem avanços na investigação. Na região, os guardiões em defesa da floresta se unem contra o garimpo legal e prometem: "Vai ter guerra" 

Impossível também não mencionar a prisão do empresário Dirceu Sobrinho, que é dono de garimpos, mineradoras e empresas que negociam ouro.

Sobrinho é investigado por comprar o metal de garimpos ilegais na Terra Indígena Yanomami (RR), Munduruku e Kayapó (PA). Mas foi um outro esquema que levou Sobrinho para a prisão temporária. Trata-se de uma organização que opera balsas e dragas de ouro em rios do Amazonas, segundo investigação da Polícia Federal. A investigação corre em sigilo, mas a Repórter Brasil conseguiu acesso à parte do inquérito.   

Outras denúncias da Repórter Brasil em setembro:

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