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4 de julho de 2022

A morte de Dom e Bruno e o desmonte da Funai

Choque. Revolta. Luto. Esses e muitos outros sentimentos atravessaram nossa equipe depois do assassinato do jornalista inglês Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira, no Vale do Javari (AM). Mas resolvemos reagir com a ferramenta que melhor sabemos usar: o jornalismo.

Enviamos uma equipe até Atalaia do Norte (AM) para acompanhar as investigações sobre a morte de Dom e Bruno e refazer seus últimos passos. Mostramos quando a polícia prendeu um suspeito por “suposto homicídio qualificado”; tuitamos sobre o desenrolar do caso, inclusive mostrando fotos do protesto de servidores da Funai. Com sacos na cabeça e os pés amarrados, eles denunciaram a situação em que vivem: ameaçados pelos invasores e reféns do sucateamento do órgão. Nessa thread, mostramos como a atual gestão é cúmplice da tragédia.  

Antes de confirmado o assassinato, publicamos um relato-homenagem escrito pelo amigo de Dom, Daniel Camargos, jornalista da Repórter Brasil: "Calmo, equilibrado e um jornalista brilhante."

Nossa cobertura também mostrou contextos por trás da morte de Dom e Bruno, caso da transformação da Funai em uma instituição anti-indígena e o impacto disso nos territórios indígenas e na vida de quem os protege.

Em uma investigação exclusiva, mostramos como a Funai contrata familiares de servidores sem concurso nem experiência em questões indígenas, mesmo para ocupar cargos em áreas como etnodesenvolvimento e demarcação de territórios. Nesse caso que especialistas indicaram configurar nepotismo, revelamos que ao menos três profissionais nomeadas entre 2020 e 2021 têm parentes em cargos importantes do órgão.  

Já na reportagem 'Indígenas Kayapó foram ameaçados por pescador armado na semana do desaparecimento de Bruno e Dom', ouvimos o seguinte depoimento de Megaron Txucarramãe, uma das lideranças Kayapó: “Não temos nenhum apoio da Funai [Fundação Nacional do Índio] no monitoramento, nenhuma ajuda para fiscalizar pescadores, caçadores, garimpeiros, madeireiros.” 

Um membro do grupo de guardiões Kayapó também falou de como a situação de seu povo se deteriorou: “Creio que, com as falas do presidente e as mortes [de Dom e Bruno], esses pescadores se sentiram na obrigação de intimidar nosso pessoal.”

Do gibi à escravidão

Desde abril, 27 trabalhadores contratados para a colheita de maçã em Monte Carlo (SC) acusam a Fischer Agroindústria de submetê-los à condições análogas à escravidão. No pomar da empresa, a comida oferecida era de 'qualidade duvidosa' e os alojamentos estavam lotados, mesmo durante um novo pico de casos de Covid-19. A Fischer detém, desde 1995, a licença para a produção das maçãs da Turma da Mônica.

Ainda sobre trabalho escravo, a Justiça do Trabalho determinou que pecuarista da família Caiado volte para a ‘lista suja’ 12 anos após a autuação. Ele travava uma batalha judicial para ficar fora do cadastro, o que o permitiu vender gado para grandes frigoríficos, como Marfrig, Frigol e Beef Nobre.

Outras denúncias feitas pela Repórter Brasil em junho:

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