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OLÁ!

A Artichoke desta semana volta ao universo do cinema para falar de Spike Lee, que acaba de lançar um dos filmes mais inspirados de sua carreira. Nas dicas da semana, destacamos uma pequena seleção de matérias sobre o incêndio no Museu Nacional do Rio de Janeiro, uma das maiores tragédias recentes para a cultura mundial. Vamos lá?

"BLACKKKLANSMAN",
DE SPIKE LEE.

ILUSTRAÇÃO DE MARIANA POPPOVIC
TEXTO POR ROGER VALENÇA


BlacKkKlansman (2018), o novo filme do diretor estadunidense Spike Lee, é baseado em uma história real: a de como um policial negro, na Colorado dos anos 70, conseguiu se infiltrar na organização de suprematistas brancos Ku Klux Klan.

Utilizando seus trejeitos muito característicos, Lee faz o longa metragem transitar entre gêneros. Da ação, passando pelo humor e pelo blaxploitation, até chegar ao documentário (“based upon some fo’ real, fo’ real sh*t”, diz um letreiro no começo da exibição), o filme flui por mais de duas horas de duração. No entanto, entre suas diversas facetas, um gosto amargo de fundo se assenta gradativamente, conforme se desvela a narrativa de um racismo estrutural que forma a identidade dos EUA.

A trama acompanha a história de Ron Stallworth (John David Washington), um policial novato da inteligência que trabalha infiltrado em manifestações políticas. Sua primeira missão é assistir a uma palestra de um ex-líder dos Panteras Negras promovida pela União dos Estudantes Negros da Universidade do Colorado. Certo dia, Stallworth consegue estabelecer contato com a KKK via telefone, o que desemboca em uma relação contínua com David Duke, um dos grandes líderes da organização.

Entre todos os trejeitos estilísticos que compõem um filme de Spike Lee, um que passa quase desapercebido é a tela dividida ao meio por uma faixa diagonal, mostrando simultaneamente ambos os lados de uma conversa telefônica. Divisões e paralelos, no entanto, serão temas centrais para a narrativa de BlacKkKlansman. Lee parece mostrar como os contrários não são necessariamente equivalentes na história racial dos EUA – o movimento Black Power, de empoderamento e auto-aceitação, por exemplo, não equivale às manifestações de White Power, de intolerância e violência racista, anti-semita e homofóbica da ideologia suprematista.

Outro paralelo está entre o passado e o presente, ou melhor, no jogo circular de uma história que sempre se repete. Trazendo para a tela imagens da passeata de Charlottesville em 2017, e a subsequente reação de Trump ao assunto, Lee aponta para uma tensão racial muito mal resolvida no país. “David Duke nunca será eleito presidente”, diz Stallworth em determinada altura do filme. O absurdo ululante, no entanto, aponta para a realidade na América do final dos anos 2010.

Em uma cena particularmente tocante, um personagem interpretado por Harry Belafonte conta a história – real – do linchamento de um jovem negro no Texas, que aconteceu no calor da exibição do filme Birth of a Nation no ano de 1915. O filme, que apresenta o Klan como uma força heróica, foi o responsável por despertar uma onda de intolerância e renovar as forças da organização. No pano de fundo da cena, estudantes seguram fotos do ocorrido, encarando as câmeras (as imagens do corpo mutilado foram vendidas como cartões postais na época), escancarando uma história que não pode ser esquecida.

Tal esforço parece ilustrar o que faz Lee em um dos melhores filmes do ano: na tentativa de não deixar que o racismo continue perpetuando-se como uma força subterrânea e reprimida na história da América, expõe uma sociedade incapaz de viver entre nuances e vista sob o filtro ultrapassado da dicotomia do preto e branco.

 

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NÃO PERDER
ESTA SEMANA

POR ROGER VALENÇA

 

 

O Brasil queimou - El País


O país lamentou essa semana uma das suas maiores tragédias culturais, o incêndio do Museu Nacional no Rio de Janeiro. O Brasil perdeu a possibilidade da metáfora, escreve Eliane Brum para o El País. Essa matéria do Nexo, por sua vez, oferece um panorama mais extenso sobre o ocorrido. Também para o Nexo, Aparecida Vilaça, uma das antropólogas do Museu, escreve sobre sua experiência.
 

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The Life and Art of Wolfgang Tillmans - The New Yorker


Emily Witt escreve para a New Yorker um dossiê completo sobre a obra do fotógrafo alemão Wolfgang Tillmans.

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Segunda Bienal de Artes Ouvidor 63


Acontece de 7 a 16 de Setembro a Segunda Bienal de Artes Ouvidor 63, na cidade de São Paulo, que propõe “uma jornada para a construção de outros mundos possíveis”.

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